O que é a Gestalt-Terapia


A Gestalt-Terapia (GT) é uma abordagem que visa promover a integração do “eu”, através da ampliação da consciência e do contato pleno com a experiência vivida aqui e agora. O contato pleno acontece quando o cliente se envolve totalmente com a figura que emerge espontaneamente na consciência e vivencia, sem restrições, a experiência do momento nos níveis cognitivo, sensorial e motor. Desse modo, a figura emergente é destruída, permitindo que uma nova figura emerja do fundo. É através de sucessivos processos não interrompidos de formação e destruição de figuras, que o cliente entra em contato com seus conteúdos mais profundos e com os aspectos alienados de si mesmo, facilitando, assim, o funcionamento do “eu” em totalidade.

Conforme a GT, a neurose tem como base o conflito interno eu dominador/eu dominado e os mecanismos de interrupção do contato com os aspectos ameaçadores da realidade interna e externa. Esses mecanismos, que inicialmente funcionam como ajustamentos criativos e depois se tornam conservativos, são formas de autorregulação e defesa, construídas pelo “eu” (função ego do self), no sentido de manter seu equilíbrio em situações desfavoráveis impostas pelo meio.

Os ajustamentos conservativos são padrões repetitivos e improdutivos de comportamento que caracterizam as neuroses, segundo a GT e os transtornos da personalidade descritos no DSM-5. Ao longo do tempo, esses padrões rígidos de comportamento podem gerar transtornos clínicos, como os transtornos de ansiedade e de humor, uma vez que, na ausência de ajustamentos criativos, a pessoa mantém sua existência em um nível de satisfação abaixo do que é desejado e do que seria possível alcançar, pela atualização de suas potencialidades.

De acordo com a GT, o cliente se liberta de seus impasses existenciais e muda seu padrão de comportamento, quando desenvolve um profundo conhecimento de si mesmo e reestrutura o “eu”, através de uma ressignificação da própria existência, gerada pela consciência e pela compreensão ampla das questões mal resolvidas no passado, dos conflitos vividos no presente e dos medos relacionados ao futuro, que geram sofrimentos e prejuízos significativos em suas funções afetivas, sociais e ocupacionais.

A relação terapêutica na GT é dialógica, isto é, terapeuta e cliente dialogam sobre os significados, as origens, as consequências e as possibilidades de resolução dos problemas existenciais abordadas nos encontros terapêuticos, sendo este diálogo marcado pela confirmação e pela valorização das peculiaridades inerentes à singularidade de cada cliente. A psicoterapia “gestáltica” tem se mostrado eficiente no tratamento de diferentes clientes, principalmente daqueles que: a) são portadores de transtornos de ansiedade (p.ex. pânico), de humor (p.ex. depressão) ou de personalidade (p.ex. dependente); b) apresentam problemas de autoimagem e autoestima; c) recuperam-se muito lentamente de suas perdas afetivas; d) manifestam insatisfação em seus relacionamentos interpessoais; e) têm dificuldades para fazer escolhas e tomar decisões; f) são extremamente perfeccionistas e exigentes consigo mesmos; g) alimentam fortes sentimentos de culpa e de arrependimento.

(Carlene Maria Dias Tenório)